300 Discos Importantes da Música Brasileira

ZL30 – Fagner / Manera Fru Fru, Manera (1973)

Publicado por 300discos em 20/01/2010


ZL30 – Fagner / Manera Fru Fru, Manera (1973)

Philips -  Tracks: 12  Playing time: 40:57

1    Último Pau De Arara – Fagner – (Venâncio, Corumba & José Guimarães) (2:55)

2    Nasci Para Chorar (Born To Cry) – Fagner – (Dion, Dimucci & Erasmo Carlos) (3:04)

3    Penas Do Tiê  – Fagner & Nara Leão – (Folclore & Fagner) (3:48)

4    Sina – Fagner – (Fagner & Ricardo Bezerra) (4:00)

5    Mucuripe – Fagner – (Fagner & Belchior) (3:42)

6    Como Se Fosse – Fagner – (Fagner & Capinan) (3:07)

7    Pé De Sonhos – Fagner & Nara Leão – (Petrúcio Maia & Brandão) (3:10)

8    Cavalo Ferro – Fagner – (Fagner & Ricardo Bezerra) (2:28)

9    Moto I – Fagner – (Fagner & Belchior) (3:38)

10   Tambores (Jovem Também Tem Saudade) – Fagner – (Fagner & Ronaldo Bastos) (4:23)

11   Serenou Na Madrugada – Fagner & Bruce – (Folclore & Fagner) (2:21)

12   Manera Fru Fru, Manera – Fagner – (Fagner & Ricardo Bezerra) (4:21)

Este disco pode ser buscado no Um que Tenha.

9 Respostas para “ZL30 – Fagner / Manera Fru Fru, Manera (1973)”

  1. Miguel disse

    Olá Trezentos,

    Infelizmente, encontro-me longe de meus LPs e CDs para checar. Lembro-me apenas que o CD lançado em 1980 não corresponde às músicas do LP. Tenho os dois.

    Alguém que também os tenha poderá confirmar e dar os devidos detalhes.

    Isso talvez explique por que que a lista das músicas disponíveis no arquivo para download (do UQT) não corresponda com a lista que o amigo publicou acima.

    Consegui encontrar na Internet uma contra-capa do CD na qual a lista das músicas é exatamente a mesma que o amigo apresentou acima.

    Por isso, acredito, que as músicas que vem para download são as mesmas do LP. (Repito que não tenho agora como confirmar).

    No arquivo constam:

    01. O último pau de arara;
    02. Nasci para chorar;
    03. Penas do Tiê;
    04. Moto I;
    05. Mucuripe;
    06. Como se fosse;
    07. Pé de Sonhos;
    08. Canteiros;
    09. Sina;
    10. Tambores;
    11. Serenou na Madrugada;
    12. Manera Fru Fru, Manera.

    • 300discos disse

      Pois é, eu tenho apenas o CD, de onde extraí as músicas. Alguém já me disse que o Fagner enfrentou uma batalha judicial com a família da Cecilia Meirelles por causa da letra de Canteiros. Veja que Canteiros está na sua listagem e não está no CD, sendo substituída por Cavalo Ferro. Deve ter sido tirada por isso.

      • Miguel disse

        Acho que é isso mesmo, Trezentos. Lembro-me de ter lido algo a respeito… há muito tempo.

        Há também uma mudança na ordem de algumas músicas. Seria bom se alguém tivesse o LP para confirmar se essa é a ordem original.

        Cometi um erro ao dizer que o CD saiu em 1980. Nesta época ainda não existiam CDs. Mas fui induzido ao erro pela mesma contracapa do CD que citei acima. Lá está escrito com bastante clareza: 1980.

      • 300discos disse

        A ordem no LP original é a que você postou. O Zeca Louro conta a história da mudança de Canteiros por Cavalo Ferro na postagem dele do disco: http://loronix.blogspot.com/2006/11/fagner-manera-fru-fru-manera-1973.html. Mais detalhes em http://www.itarget.com.br/clients/raimundofagner.com.br/manera_disco.htm , onde se especula que este é provavelmente o disco mais contestado por plágios da história da música brasileira. Tem um problema, também, com “Penas do Tiê”, contestada pelos herdeiros de Hekel Tavares! O link acima também conta outros problemas de plágio com músicas do Fagner …

      • 300discos disse

        O CASO CECÍLIA MEIRELES : http://www.itarget.com.br/clients/raimundofagner.com.br/cecilia_meireles.htm

        Como sabemos, a história toda começou em 1973, com Raimundo Fagner gravando no elepê de estréia para a Philips a música Canteiros, até então creditada como sendo de sua autoria. Com poucas unidades vendidas, o disco de início não logrou nenhum sucesso comercial e foi tirado das prateleiras pouco tempo depois de lançado. Só que o estouro da música Revelação despertou a curiosidade de alguns radialistas que foram procurar as canções antigas e esquecidas de Raimundo Fagner. Encontraram Canteiros, começaram a tocar a música e descobriram ali um grande sucesso adormecido. Mas antes da música acontecer nacionalmente, ele já tinha dividido a parceria da letra com Cecília Meireles e inclusive divulgando-a em release de show, em 1977. No mesmo ano musicou o poema Epigrama No. 9, registrado no disco ”ORÓS”. E, novamente, em 1978, musicou Motivo, utilizando para fins comerciais alguns versos do poema na parte interna e na capa do elepê intitulado de ”EU CANTO”.
        No dia seis de novembro de 1979, Raimundo Fagner admitiu, ao ser interrogado no dia pelo Juiz Jaime Boente, na 16a. Vara Criminal, que ”sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música”, reconhecendo o uso indevido do poema Marcha, de Cecília Meireles, na composição Canteiros, registrada na primeira edição do elepê ”MANERA FRU FRU, MANERA”. Para o Juiz Jaime Boente, Raimundo Fagner violou a lei de número 5.988/73 que regula os direitos autorais e com a agravante de plágio, nos artigos 184 e 185 do Código Penal. Eis, a título de curiosidade e comparação com a letra cantada por Raimundo Fagner, o poema ”Marcha”, original de Cecília Meireles:

        ”Quando penso no teu rosto, fecho os olhos de saudade

        Tenho visto muita coisa, menos a felicidade

        Soltam-se meus dedos tristes

        dos sonhos claros que invento

        Nem aquilo que imagino

        já me dá contentamento

        Gosto da minha palavra pelo sabor que me deste

        Mesmo quando é linda, amarga

        Como qualquer fruto agreste.

        Mesmo assim amarga, é tudo que tenho

        entre o sol e o vento.

        Meu vestido, minha música,

        meu sonho, meu alimento.”

        Enquanto o processo das filhas de Cecília Meireles contra Raimundo Fagner corria na Justiça, o ano de 1979, ainda trouxe algumas ”boas surpresas” para o cantor. Primeira: o elepê ”MANERA FRU FRU, MANERA” foi relançado com Cavalo Ferro, do primeiro compacto duplo lançado em 1972, no lugar da faixa Canteiros. Segunda: apareceram suspeitas de que um outro poema musicado por Raimundo Fagner e registrado também no primeiro elepê não era de sua autoria. Em Sina (3a. faixa do lado ”B”), aparecem como autores da música Raimundo Fagner e Ricardo Bezerra. Mas na verdade, os quatro primeiros e os oito últimos versos da canção, pertencem ao poema ”O Vaquêro”, do poeta popular cearense Patativa do Assaré, e publicado pela Editora Vozes em 1977, no livro ”Cante Lá Que Eu Canto Cá”. Também a título de curiosidade e comparação com a letra cantada por Raimundo Fagner, eis o poema original de Patativa do Assaré, ”O Vaquêro”:

        ”Eu venho dêrne menino,

        Dêrne munto pequenino,

        Cumprindo o belo destino

        Que me deu Nosso Senhô.

        Eu nasci pra sê vaquêro,

        Sou mais feliz brasilêro,

        Eu não invejo dinhêro,

        Nem diproma de dotô.

        (…)

        Tenho na vida um tesôro

        Que vale mais de que ôro:

        O meu liforme de coro,

        Pernêra, chapéu, gibão.

        Sou vaquêro destemido,

        Dos fazendêro querido,

        O meu grito é conhecido

        Nos campo do meu sertão.

        (…)

        O dote de sê Vaquêro,

        Resolvido marruêro,

        Querido dos fazendêro

        Do sertão do Ceará.

        Não perciso maió gozo

        Sou sertanejo ditoso,

        O meu aboio sodoso

        Faz quem tem amô chorá.”

        Em 31 de agosto de 1983, o jornal ”O Globo”, do Rio de Janeiro, edição do dia 31 de agosto de 1983, destacou em letras garrafais: ”Caso Fagner: filhas de Cecília Meireles ganham na Justica”. O título da matéria referia-se a longa novela envolvendo as herdeiras da poetisa Cecília Meireles – Maria Fernanda Meireles Correa Dias, Maria Elvira Strang e Maria Matilde Correa Dias e o cantor Raimundo Fagner acusado de apropriação indébita e plágio de alguns versos do poema ”Marcha”. O processo contra Fagner se arrastava na Justiça desde novembro de 1979, quando o cantor realmente admitiu ter mexido nos versos do poema de Cecília Meireles adaptando-o para a concepção da música Canteiros. Em 1981, as herdeiras conseguiram condenar as gravadoras Polygram, Polystar, Polifar, as Edições Saturno e o cantor a pagar uma multa de Cr$ 101 mil cruzeiros por violação de direitos autorais. A CBS também foi acionada pela inclusão da música Motivo, no elepê ”QUEM VIVER CHORARÁ”, de 78. A gravadora CBS entrou em acordo e pagou a indenização, mas a Polygram não aceitou o mesmo e as herdeiras transferiram a ação contra a gravadora e das Varas Criminais para as Varas Cíveis. Mesmo depois de condenada, a gravadora Polygram decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal alegando que a decisão judicial ”feria preceitos constitucionais”. Em cálculos aproximados, as herdeiras divulgaram que o valor da indenização ficaria entre Cr$ 60 e Cr$ 80 milhões de cruzeiros. A novela envolvendo o cantor Raimundo Fagner e a música Canteiros somente terminou em 1999, quando a gravadora Sony Music fez um acordo com as herdeiras da poetisa Cecília Meireles para a regravação da música, o que aconteceu em janeiro de 2000, em Fortaleza, no primeiro registro ao vivo das músicas do compositor cearense. O disco ”RAIMUNDO FAGNER – AO VIVO”, com Canteiros, foi lançado em fevereiro de 2000. Quanto a Sina, em 1997, a cantora Simone Guimarães creditou aos compositores Raimundo Fagner, Ricardo Bezerra e Patativa do Assaré a autoria da música em sua regravação no disco ”CIRANDEIRO”.

      • 300discos disse

        O CASO HEKEL TAVARES :
        http://www.itarget.com.br/clients/raimundofagner.com.br/hekel_tavares.htm

        Em julho de 1999, o cantor Raimundo Fagner foi mais uma vez acusado de plágio novamente por uma canção incluída no disco ”MANERA FRU FRU, MANERA”, Penas do Tiê. Vamos ler um artigo do jornalista Jotabê Medeiros, da ”Agência Estado” sobre a questão:

        ”Fagner é acusado de plágio
        quase três décadas depois

        São Paulo – O disco ‘Manera Frufru Manera’, do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles (Canteiros, também de ‘Manera Frufru’, e Motivo, de um disco chamado “Fagner”, de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, Penas do Tiê. Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que Penas do Tiê era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.
        Na verdade, Penas do Tiê nada mais é do que uma regravação de Você, uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. O ‘deslize’ de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do ‘Jornal do Brasil’, demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner.
        ‘É inacreditável: tratava-se da mesma canção’, diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. ‘Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe’, diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, Penas do Tiê (ou Você) teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD ‘Vidamor’, pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD ‘Amigos e Canções’, também da BMG.
        A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de ‘Manera Frufru Manera’, admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil. ‘A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros’, diz Alberto Hekel Tavares. ‘Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada’, afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner.
        Hekel Tavares foi um compositor de grande sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 50, seu “Concerto em Formas Brasileiras” foi apresentado nos Estados Unidos tendo como solista a pianista Guiomar Novaes e sob a regência do maestro Karl Kruger.
        Mas o caso mais famoso de plágio (?) envolvendo o cantor Raimundo Fagner foi mesmo com a música Canteiros e a família da poetisa Cecília Meireles.
        No ano de 1979, Raimundo Fagner foi o alvo de todas as atenções. Os críticos começavam a divulgá-lo como ”a grande promessa da nova música brasileira”. A gravadora Polystar (Polygram) lançara as coletâneas ”FONOGRAMA ESPECIAL VOL. 3 – 1a. Edição” (No. 2494.609) com as músicas Canteiros e Mucuripe; ”FONOGRAMA ESPECIAL VOL. 3 – 2a. Edição”, com Nasci Para Chorar, Mucuripe e Último Pau-de-Arara; e ”EXPLODE CORAÇÃO” (No. 9198.119) com Canteiros, já creditando como autores da música Cecília Meireles e Raimundo Fagner (em 1977, quando da realização do show ”ORÓS”, no Teatro Tereza Rachel, ele divulgava os nomes de Cecília Meireles e Belchior como co-autores da canção). Sua voz estava em todas as rádios e televisões do País com a música Revelação. Mas uma bomba estava prestes a explodir: ”Fagner tem discos apreendidos”. O ”Jornal do Brasil”, edição do dia 30 de agosto de 1979, divulgava em primeira mão: ”Quatorze mil discos e 3 mil fitas cassetes, do cantor e compositor Fagner, foram apreendidos, em todas as lojas do Rio, por determinação do Juiz da 16a. Vara Cível, Jaime Boente. Ele concedeu liminar à ação de busca e apreensão impetrada por três filhas da poetisa Cecília Meireles contra as gravadoras Polygram, Philips, Polystar e CBS, ‘por violação de direitos autorais com prejuízos morais e materiais’. Maria Fernanda, Maria Elvira e Maria Matilde Meireles alegam que duas poesias de sua mãe – Motivo e Marcha – estão reproduzidas em dois discos do cantor e compositor Fagner, nas músicas Quem Viver Chorará e Canteiros. Fato ‘grave’, pois além do ‘uso indevido’, alguns versos estão ‘descaracterizados’. Peritos designados pelo Juiz, reconheceram nas músicas as poesias de Cecília Meireles”. A partir daí um longo processo contra Raimundo Fagner começou a correr na Justiça, e somente terminou em 1999, quando a gravadora Sony Music fez um acordo com as herdeiras e filhas da poetisa Cecília Meireles para a regravação da canção, o que aconteceu em janeiro de 2000, em Fortaleza, no primeiro registro ao vivo das músicas do compositor cearense. O disco ”RAIMUNDO FAGNER – AO VIVO”, com Canteiros, foi lançado em fevereiro de 2000.

        ________________________

        1 Em 1999, Raimundo Fagner foi novamente acusado de plágio, desta vez a música em questão era Penas do Tiê, que segundo os herdeiros de Hekel Tavares a música nada mais é do que Você de autoria do compositor em parceria com Nair Mesquita.

        2 Em Canteiros Raimundo Fagner usou trechos das músicas Na Hora do Almoço (Belchior) e Águas de Março (Antônio Carlos Jobim).

      • Miguel disse

        Excelente pesquisa, Trezentos.

        Pena que um disco tão bom tenha sido protagonista de tanta confusão.

  2. [...] Este disco já foi publicado nesse blog, pois é um dos discos adicionais selecionados pelo Zeca Louro. As informações sobre o disco, assim como o link para busca-lo, podem ser acessados aqui. [...]

  3. [...] disco pode ser buscado no 300 Discos. Share this:TwitterFacebookLike this:LikeBe the first to like this [...]

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